12 de Dezembro de 2023 | Hever Costa Lima O Projeto de Lei foi aprovado em votação final no Senado Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado O enfrentamento pela inclusão dos profissionais gera Projeto de Lei que tramita no Congresso brasileiro Os profissionais maduros, aqueles com 60 anos ou mais, que atualmente representam cerca de 15,6% da população brasileira, são uma força valiosa no mercado de trabalho. Eles não são apenas capazes, mas trazem uma riqueza de experiência de vida e habilidades práticas que podem beneficiar enormemente os ambientes de trabalho. Contrariamente à percepção de que a idade pode ser uma barreira, os seniores provaram ser uma adição valiosa ao local de trabalho ao contribuem com sua experiência de vida, enriquecem o ambiente de trabalho. Muitas vezes desempenham um papel positivo no desenvolvimento dos profissionais mais jovens. Na tentativa de combater o etarismo, tramita no Congresso brasileiro o Projeto de Lei (PL) 4.890/2019, que oferece incentivos fiscais aos empregadores que contratam trabalhadores com 60 anos ou mais, reforçando ainda mais o valor e a contribuição desses profissionais maduros. Projeto de Lei oferece incentivos fiscais aos empregadores que contratam trabalhadores com 60 anos O projeto permite ao empregador deduzir dos 20% de Contribuição Patronal sobre a Folha de Pagamento (Lei 8.212, de 1991) o valor de um salário-mínimo para cada semestre de contrato de trabalho que estiver vigente relativo ao empregado contratado com idade igual ou superior a 60 anos. O texto recebeu parecer favorável do senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL). Como foi aprovado em caráter terminativo na CAE, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados, a não ser que haja recurso para votação no Plenário do Senado. Rodrigo disse que o emprego dos trabalhadores mais velhos é um dos temas centrais do trabalho no século 21, notadamente em face do envelhecimento da população e das consequentes pressões sobre os sistemas de saúde e de seguridade social. “O projeto se insere na tradição legislativa brasileira de concessão de benefícios financeiros para incentivar a contratação de determinadas categorias de trabalhadores” acrescentou. Embora tenha visto progressos significativos no combate ao etarismo, ainda existem obstáculos a serem superados. A discriminação baseada na idade, especialmente durante a fase de contratação, é uma realidade que torna mais difícil para os trabalhadores mais velhos se recolocarem no mercado de trabalho. Portanto, é essencial continuar a desafiar as percepções e a valorizar a contribuição dos trabalhadores maduros, reconhecendo que a aprendizagem e o crescimento não têm prazo de validade. O etarismo, também conhecido como idadismo ou ageísmo, é um tipo de preconceito que se manifesta contra indivíduos ou grupos com base em sua idade É importante ressaltar que não existe uma legislação que obrigue as empresas a preencherem cotas com trabalhadores acima de 60 anos. A decisão de contratar esses profissionais é inteiramente a critério da gestão de cada empresa. No primeiro semestre do ano, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou um aumento de 57% nas denúncias e de 87% na divulgação dos direitos do idoso, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Um estudo da Ernst & Young (EY) com quase 200 empresas no Brasil revelou que a maioria delas tem entre 6% e 10% de funcionários com mais de 50 anos. No entanto, 78% dessas empresas admitiram ter barreiras para contratar trabalhadores nessa faixa etária. Jheny Coutinho, CEO da Plure, destaca que os profissionais com 40 anos ou mais enfrentam frequentemente preconceitos no mercado de trabalho, muitas vezes baseados na suposição de que são menos produtivos ou que podem ter problemas de saúde. Isso pode criar obstáculos para a obtenção de empregos ou até mesmo para a contratação. Coutinho defende que o envelhecimento da população deve ser visto como uma vantagem no mercado de trabalho, ajudando a quebrar estereótipos. Com um número crescente de pessoas vivendo vidas produtivas e saudáveis em idades avançadas, a presença de várias gerações na força de trabalho e nas comunidades pode promover uma maior compreensão e respeito mútuo. “As empresas devem adotar políticas que valorizem a diversidade etária e incentivem a contratação e retenção de funcionários de todas as idades”, diz.
Economia Prateada: um mercado lucrativo para e-commerce
12 de Dezembro de 2023 | Hever Costa Lima O e-commerces precisa se adaptarem para atender ao público Crédito: Pressfoto – Freepik.com A Internet como plataforma para o público sênior: descubra o potencial da economia prateada para o e-commerce A população brasileira e mundial com mais de 50 anos está em crescimento e apresenta hábitos de consumo bem definidos. O mercado da longevidade é um setor que movimenta US$ 45 trilhões na economia mundial, segundo a AARP (American Association of Retired Persons), e que representa mais de R$ 2 trilhões no Brasil. Esse setor tem um grande potencial de crescimento, pois até 2050, quase um terço dos brasileiros terá mais de 60 anos. A economia prateada, que engloba todas as atividades econômicas voltadas para atender as necessidades desse público, é considerada a terceira maior economia do mundo. Nos Estados Unidos, metade da população entre 52 e 70 anos passa pelo menos 11 horas por semana online, indicando um grande potencial para o e-commerce. As pessoas com mais de 65 anos representam 17% dos mais ricos do Brasil, diz a FGV. De acordo com os dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pessoas com mais de 65 anos representam 17% dos 5% mais ricos do Brasil. Além disso, uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) revelou que 41% dos idosos priorizam produtos de desejo em vez de itens de necessidade básica. Os e-commerces que se adaptarem para atender a este público podem obter um diferencial competitivo significativo nos próximos anos. Portanto, se o negócio ainda não está preparado para atender ao público com mais de 50 anos, é hora de se atualizar. Um exemplo de oportunidade de negócio vem do Vida60Mais, marketplace focado em promover a autonomia e o convívio social de pessoas maduras, com foco em prestar atendimento adequado e direcionado aos longevos. O marketplace recebeu o aporte de R$ 750 mil em tecnologia e desenvolvimento para aprimorar seu espaço de venda na internet. O Vida60mais está expandindo sua oferta de produtos e serviços. Atualmente, a plataforma conta com mais de 300 opções variadas, incluindo calçados adequados para idosos, jogos, roupas, aulas de idiomas, dança, cuidadores, fisioterapeutas, entre outros. Ralf Germer, CEO da PagBrasil, fintech especializada em pagamentos digitais, destaca a importância do e-commerce para a economia prateada. Segundo Germer, a pandemia acelerou as mudanças de consumo, especialmente entre o público com mais de 50 anos. “O mercado precisa oferecer a melhor experiência de compra para fidelizar o público sênior”, diz Ralf Germer, CEO da PagBrasil. Germer enfatiza que o e-commerce precisa estar preparado para atender esse público: “O mercado precisa oferecer a melhor experiência de compra para fidelizar esse cliente. Para isso, é fundamental oferecer um checkout transparente, que transmita segurança e que facilite a conclusão da compra com métodos variados e alternativos”, explica. Como vender para este nicho? O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), órgão de consultoria, oferece dicas para empresas de e-commerce que desejam atender ao crescente nicho de mercado da economia prateada. Segundo a entidade, é essencial entender que os consumidores com mais de 50 anos são um grupo heterogêneo e não devem ser generalizados. Para atender melhor a este público, o Serviço sugere a realização de pesquisas e entrevistas para identificar desafios, interesses, hábitos e valores. Além disso, é imprescindível evitar estereótipos. É importante que a publicidade não reforce o etarismo. O Sebrae também recomenda a adaptação da comunicação para um design mais inclusivo, com fontes maiores e cores contrastantes. A jornada de compra deve ser simplificada e a tecnologia dos assistentes de voz, como Alexa e Google Home, pode ser utilizada para oferecer mais interatividade e simplicidade para os usuários. Estigma Apesar do aumento da população com mais de 50 anos e do seu poder de compra significativo, muitas marcas brasileiras ainda não estão aproveitando plenamente as oportunidades oferecidas pela economia prateada. Existe um forte estigma social no Brasil que impede muitas empresas de priorizar o público sênior em suas estratégias comerciais. No entanto, é importante notar que os consumidores seniores são ativos e cada vez mais digitais. Ao não se concentrar neste público, as marcas estão perdendo a chance de atender a um grupo com hábitos de consumo estabelecidos e um bom poder de compra. As empresas que desejam aproveitar as oportunidades oferecidas pela economia prateada devem considerar a adaptação de suas estratégias para atender melhor a este público.
Os maduros e o mercado de trabalho: uma busca por recolocação e realização
6 de Dezembro de 2023 | Hever Costa Lima O colaborador sênior busca novas possibilidades de ocupação e renda e realização profissional Crédito: Freepik.com Um olhar sobre a busca de profissionais acima de 50 anos por novas oportunidades de trabalho, aprimoramento de habilidades e satisfação profissional O mercado de trabalho para profissionais acima de 50 anos está em constante evolução e impulsionado pelo crescimento da população sênior. Os dados do IBGE indicam que 57% da força de trabalho do Brasil será composta por pessoas com 45 anos ou mais em 2040. Isso indica o impacto da mudança demográfica na demanda por trabalho no país, para a geração X e Y, que são os nascidos a partir de 1965. No cenário desenhado pelo estudo feito pela plataforma de dados EY e a Maturi, uma startup especializada no mercado de trabalho dos maduros, revela que as organizações têm programas e ações sólidos em relação a gênero, raça/etnia, PcD e LGBTQIA+, mas ainda estão nos primeiros passos para combater o etarismo. A pesquisa na íntegra pode ser acessada aqui. Os resultados do estudo são alarmantes. A necessidade e a disposição dos profissionais experientes para permanecer no mercado de trabalho continuam a crescer. No entanto, as empresas não têm evoluído significativamente em suas ações para esse público, criando uma lacuna ainda maior no tema. Os dados atuais da pesquisa revelam que 93% dos profissionais maduros estão em busca de recolocação no mercado de trabalho. Menos de 30% são aposentados e 47% estão desempregados ou sem uma ocupação que gere renda. A maioria dos entrevistados pelo levantamento (73%) está insatisfeita com sua posição atual. Cerca de 30% dos respondentes são os chamados “nem-nem maduros”, um grupo de pessoas que não está trabalhando e não é aposentado. Todos classificados dessa forma estão buscando recolocação. O estudo sugere que os profissionais maduros estão buscando novas possibilidades de ocupação e renda, motivados não apenas pela necessidade de geração de renda e insatisfação com a situação atual, mas também pela busca por realização e novas possibilidades de atuação. Aprimorar habilidades, também conhecido como “upskilling”, é uma preocupação significativa para os maduros. De fato, quase 90% deles participaram de algum curso nos últimos anos. Os mais populares são Marketing (22%), Excel (17%) e Power BI (11%). Trabalho 50+: Em 2006, profissionais com mais de 50 anos representavam 12,6% dos postos ocupados. Em 2020, esse índice saltou para 19%, um aumento de 51%2. Embora a maioria das empresas (61%) afirme que as ações estruturadas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) é uma questão estratégica em suas organizações, com ações em andamento e em planejamento, o etarismo ainda não é considerado um tema crítico para 42% das organizações. Mais do que uma questão de Recursos Humanos ou DEI, o combate ao etarismo deve ser tratado como uma questão de negócio. Isso porque o etarismo custa bilhões de dólares à sociedade e exige um esforço conjunto do setor privado, governo e sociedade para ser efetivamente combatido. Portanto, é essencial que as empresas reconheçam a importância de abordar essa questão e tomem medidas para promover a inclusão e a diversidade etária em suas organizações O estudo sobre o etarismo contou com 191 empresas participantes, sendo 43% grandes empresas (receita bruta anual superior a R$ 300 milhões), 35% com até 1.000 colaboradores diretos e 18% com mais de 10.000 colaboradores diretos. Panorama Um levantamento feito pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial mostrou que as contratações de profissionais com mais de 50 anos mais do que dobraram em 15 anos. Porém, apesar dos avanços, o crescimento ainda não vem sendo igual para todos. Entre os contratados os homens são maioria, enquanto as mulheres representam 42%. Contratar profissionais sênior pode trazer muitos benefícios para uma empresa, incluindo a criação de um ambiente com mais diversidade geracional, aumento da criatividade e inovação, melhora do clima organizacional, redução da taxa de turnover e melhora do resultado financeiro da empresa. No entanto, ainda existem desafios a serem superados. O etarismo, ou discriminação por idade, ainda é um problema no ambiente de trabalho. Embora a contratação de colaboradores 50+ tenha aumentado, ainda há uma lacuna entre a necessidade de recolocação desses profissionais e a disposição das empresas em contratá-los. Portanto, é essencial que as empresas continuem a desenvolver e implementar iniciativas para promover a inclusão e a diversidade etária no local de trabalho.
Adaptação das estratégias de marketing para a geração sênior
6 de Dezembro de 2023 | Hever Costa Lima Estima-se que a geração sênior possua um poder de compra anual de R$ 1,8 trilhão Crédito: krakenimages.com – Freepik.com As empresas precisam se adaptar às necessidades das gerações sênior, que são um público cada vez mais relevante no mercado, devido ao envelhecimento da população. Segundo dados do IBGE, em 2022, o total de pessoas com 65 anos ou mais no país é aproximadamente a 22 milhões, que representa 10,9% da população O Censo detectou uma alta de 57,4% quando comparado a medição feita em 2010. A geração sênior tem um poder de consumo estimado em R$ 1,8 trilhão por ano, segundo a consultoria Hype60+ que analisou o mercado da longevidade no Brasil. Apesar dos números avançarem na consolidação de um mercado voltado ao público sênior, há uma discrepância na comunicação da indústria para interpretar o que os maduros querem consumir. Uma forma de conectar a indústria de produção de bens e serviços com a geração sênior é o uso focado do marketing digital desenhado para essa faixa etária. No curso Formação Executiva em Mercado da Longevidade, da Fundação Getulio Vargas (FGV) discute-se que o público maduro não se sente representado no marketing das empresas. “Os consumidores do futuro não são da geração dos millennials, são os maduros. A pirâmide etária já se inverteu, e para atender a esse público, precisa-se entender e respeitar as suas especificidades”, afirma Patrícia Riccelli Galante de Sá, coordenadora do curso da FGV. Assim, é essencial que executivos e empreendedores de todas as áreas criem estratégias de comunicação que sejam adequadas para eles, incluam-nos em suas agendas de diversidade organizacional (empresas age-ready) e adaptem políticas públicas e setoriais para atender a esse segmento. Nesse sentido, uma chave para atingir a geração sênior é utilizar do marketing digital envolve várias atividades, como produção de conteúdo para redes sociais, e-mail marketing, anúncios online, dedicados aos 50+. Essa estratégia de marketing é muito usada para se comunicar com a geração mais jovem e conectada, que usa muito as redes sociais. Mas as gerações sêniores também podem aproveitar os benefícios do marketing digital, que pode facilitar o acesso e a conexão com as empresas e produtos. Para isso, é importante usar uma linguagem mais simples, imagens e recursos visuais que ajudem o público sênior a entender e navegar pelo conteúdo, e canais de atendimento ao cliente mais personalizados e humanizados. Marketing estratégico Para ajustar a estratégia de marketing para atender às gerações sênior, é crucial entender suas características e preferências únicas. Um elemento-chave para o consumidor maduro é a valorização da experiência pessoal e do relacionamento com as empresas. Portanto, é crucial investir em um atendimento ao cliente que seja humanizado e personalizado. Isso também se estende à criação de conteúdo para as redes sociais que ressoe com esse público. Esses consumidores querem ser representados na mídia de uma maneira que não seja estereotipada. Eles gostam de sentir que são ouvidos e valorizados pelas empresas com as quais interagem. Portanto, a linguagem usada nas comunicações deve ser clara e direta, evitando jargões técnicos e termos excessivamente complexos. As informações devem ser apresentadas de maneira simples e acessível, para que o consumidor possa facilmente entender o que está sendo oferecido. A confiança é outro aspecto essencial. A geração sênior tende a ser mais cautelosa ao fazer compras, portanto, é fundamental que a empresa transmita segurança e credibilidade em suas comunicações e processos de venda. Em conclusão, o marketing digital pode ser um recurso valioso para as empresas que buscam se conectar com os 50+. É fundamental compreender as necessidades desse grupo demográfico e moldar as estratégias de marketing para satisfazê-las.
Disrupção digital na saúde: estratégias para um futuro saudável
6 de Dezembro de 2023 | Hever Costa Lima Os desafios da jornada de letramento digital para o profissional de saúde Crédito: Rawpixel – Freepik.com A jornada Health Care Trek discute a estruturação dos negócios com soluções sustentáveis para o mercado da longevidade Na última segunda-feira, 04 de dezembro de 2023, durante o evento “Longevidade e Inovação”, realizado pela HIHUB.TECH e health innova.hub, que contou com patrocínio da Shift e Docctor MED Franchising, e apoio de Fin-x, Go health, Redfox, Saúde da Gente e Emmitec, executivos uniram-se em torno da temática longeva e trouxeram pontos importantes, que você pode conferir abaixo. O Brasil está vivendo a revolução da longevidade, com um crescimento exponencial da população com 60 anos ou mais. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, essa faixa etária já representa 15,8% da população total, um aumento de quase 46% em relação ao Censo de 2010. Este cenário traz enormes desafios e oportunidades, como a crescente demanda por serviços de saúde, o aumento da população com doenças crônicas e a falta de geriatras e profissionais especializados no cuidado da população 60+. Para enfrentar com sucesso os desafios da longevidade, será necessário muito empreendedorismo, inovação, políticas públicas e educação. A discussão sobre longevidade e inovação no segmento da saúde tem ocorrido na jornada Health Care Trek promovido pela HIHUB.Tech, um ecossistema digital para empreendedores, com o propósito de estruturar o negócio com soluções sustentáveis, para a longevidade. A disrupção digital está causando um impacto significativo na área da saúde, gerando novas tecnologias, aplicações e grandes conjuntos de dados que modificam os processos do cuidado. Os profissionais multidisciplinares de saúde precisam adquirir novas habilidades e ferramentas estratégicas para embarcar em sua jornada de letramento digital. Fernando Cembranelli, médico e CEO da HIHUB.Tech, destaca que estamos vivendo um momento de reflexão sobre as habilidades que o profissional de saúde do futuro precisará ter. Ele enfatiza que, além da inovação e das novas tecnologias que estão remodelando o setor de saúde, precisamos nos preparar para a transformação demográfica que o Brasil está vivendo. A população está envelhecendo e a demanda por profissionais de saúde, como terapeutas e geriatras, está aumentando. Cembranelli ressalta a necessidade de mais profissionais especializados para atender a nossa população madura. “Apesar da euforia com a inteligência artificial e a tecnologia, temos um problema de base sério. Precisamos de profissionais que estejam prontos para atender a nossa população frente a essas novas demandas”, conta. Martin Henkel, CEO e fundador da SeniorLab e professor de Marketing 60+ na Fundação Getulio Vargas (FGV), destacou que em 2023 a renda total da população brasileira com 60 anos ou mais será de um trilhão e 60 milhões de reais. Essa renda se transforma em consumo, economia, recursos e despesas, inclusive de saúde. Henkel mencionou os desafios da digitalização dessa população que precisará do acesso à tecnologia, como smartphones e internet, e a necessidade de habilidades básicas para o uso das ferramentas. “Os desenvolvedores de sistemas também precisam encontrar soluções para tornar a navegação mais fluida, fácil de entender e amigável”. Os dados do governo federal revelam que, no Brasil, entre as pessoas de 60 a 69 anos, cerca de 7% são analfabetas e 31% não concluíram o ensino fundamental. Isso afeta diretamente a capacidade dessas pessoas de ler e interpretar informações. A situação é ainda mais crítica entre as pessoas de 70 a 79 anos, onde a taxa de analfabetismo chega a quase 20% dessa população. Esses números destacam a necessidade urgente de políticas públicas de educação voltadas para a inclusão digital desse grupo etário. As organizações esforçam para mitigar os riscos de vazamentos de dados e violações de privacidadeCrédito: Divulgação Interação O smartphone é a ferramenta mais popular entre os brasileiros e a forma predileta de se interagirem com as novidades tecnológicas. De acordo com a pesquisa feita pelo Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da FGV, 76% dessa população possui um smartphone. No entanto, muitos desses indivíduos não têm o ensino fundamental completo, o que pode dificultar a sua capacidade de interpretar informações e interagir com a tecnologia. A tela de um smartphone tornou-se a principal forma de acesso à internet para essa população. “É nesse pequeno espaço que precisamos criar nossas comunicações e interações com esse grupo etário”, diz Henkel. Profissionais Qualificados Silvia Scagliarini, CEO e fundadora da Vivmais Saúde&Longevidade, destaca que 42% da população com 60 anos ou mais vive sozinha. Isso representa muitas pessoas que precisarão de apoio e suporte. Além disso, 62% dessa população já está em processo de fragilização e quase 24% têm necessidades especiais. A formação do cuidador é crucial para a evolução do mercado da longevidade. Tornou-se fundamental fomentar a qualificação dos profissionais de saúde aptos a interagir com a tecnologia e com habilidades para solucionar os desafios as famílias encontram para cuidar dos idosos com dificuldade de mobilidade e redução da cognição, por exemplo. Ultrapassar o obstáculo de manter os maduros morando sozinhos em suas próprias residências, mas com todo o aparato necessário para que eles possam viver bem, depende das inovações tecnológicas. Tendência A Silver Hub, uma plataforma focada no segmento 50+, está acelerando produtos e serviços que apostam no binômio de viver mais e melhor. A empresa incentiva startups a desenvolverem biotecnologia, um campo relevante para o mercado da longevidade. Cristián Sepúlveda, CEO da Silver Hub, expressou uma perspectiva positiva sobre as oportunidades de negócios nesse segmento. Ele observou que o Brasil e a América Latina estão apenas começando a explorar essas oportunidades. Além disso, Sepúlveda observou que o segmento 50+ consome quatro vezes mais saúde do que outras faixas etárias. Isso indica que a tendência dos negócios em longevidade irá prosperar na América Latina. O evento pode ser assistido, na íntegra, neste link.
Segurança digital: protegendo-se contra vazamentos de dados e riscos à privacidade
5 de Dezembro de 2023 | Hever Costa Lima As organizações esforçam para mitigar os riscos de vazamentos de dados e violações de privacidade Crédito: Freepik Confira algumas dicas para ajudar a proteger suas informações e prevenir vazamentos de dados Em um mundo cada vez mais digital, milhões de pessoas em todo o mundo compartilham diariamente suas informações pessoais na internet. Esses dados, que são usados para acessar serviços, entretenimento, jogos ou fazer compras online, tornaram-se um ativo valioso para as empresas. No entanto, o alto valor desses dados pessoais tornou as empresas vulneráveis a ataques que visam coletar essas informações valiosas dos clientes, expondo-os e usando-os de maneira inadequada. As empresas têm a responsabilidade de proteger e podem enfrentar penalidades severas se ocorrer um vazamento. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei n° 13.709/2018, é a legislação que determina a responsabilidade de quem deixa as informações do usuário expostas. Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), um vazamento de dados pode ocorrer quando uma empresa falha em proteger as informações sob sua custódia ou quando é alvo de um ataque externo mal-intencionado visando obter essas informações. Camila Leite, advogada e especialista em telecomunicações e dados digitais do Idec, esclarece que as empresas e o governo são responsáveis tanto pela guarda quanto pelo vazamento de informações. Ela explica que essa obrigação de garantir a segurança já existia sob as leis anteriores, mas com a implementação da LGPD em 2020, o nível de proteção foi elevado. O descumprimento da LGPD pode resultar em prejuízos para a empresa ou instituição, pois a legislação prevê punições como advertência e multa de 2% sobre o faturamento anual da empresa. Além disso, a infração desta lei pode prejudicar significativamente a reputação de uma empresa no mercado. Risco e violação Cada vez mais organizações estão buscando mapear riscos de vazamento de dados e violações de privacidade para evitar incidentes negativos na segurança. Mesmo assim, esses tipos de ataques estão se tornando cada vez mais frequentes. Embora algumas práticas de segurança de dados possam não eliminar completamente esses riscos, elas podem minimizar os danos em caso de vazamento. O vazamento de dados pode ser resultado de uma série de fatores. Isso pode ocorrer quando atacantes hackers roubam input ou quando códigos maliciosos exploram vulnerabilidades nos sistemas. Com isso, o acesso a contas de usuários pode ocorrer por meio de senhas fracas ou vazadas, por furto de equipamentos eletrônicos que carreguem dados sigilosos. É essencial estar ciente desses riscos e tomar medidas preventivas para proteger as informações. A privacidade e a segurança online são essenciais na era digital. Aqui estão algumas dicas para ajudar a proteger suas informações e prevenir vazamentos de dados: – Proteja suas comunicações na internet e os dispositivos que você usa para acessar a web, como notebooks, PCs, smartphones ou tablets. – Instale softwares antivírus e antimalware confiáveis. – Use softwares anti-hacker para proteger seus dispositivos contra ameaças comuns, como keyloggers, ransomware e trojans. – Mantenha seu sistema operacional e outros softwares atualizados, especialmente quando patches de segurança são liberados. – Tenha cuidado ao clicar em links, pois phishing e e-mails falsos podem direcioná-lo a sites fraudulentos que roubam suas credenciais de login. – Desconfie de links para fotos ou notícias duvidosas, pois eles podem conter malwares. – Proteja seu smartphone usando bloqueio de tela e PIN para evitar acessos não autorizados. – Ao baixar aplicativos, verifique as permissões que eles solicitam. Aplicativos que requerem acesso à câmera, microfone, serviços de localização, calendário, contatos e contas de mídias sociais podem representar uma ameaça à sua privacidade online. – Considere baixar um aplicativo que permite apagar todos os dados do seu telefone remotamente em caso de roubo ou perda. – Use senhas seguras e mude-as a cada seis meses. – Considere usar gerenciadores de senhas para criar senhas aleatórias e ultrafortes para cada uma de suas contas. – Use a autenticação em duas etapas sempre que possível para aumentar sua segurança. As ações preventivas podem dificultar significativamente o vazamento de dados, o que deve ser uma preocupação primordial, especialmente para as empresas. Em todas as situações, aconselha-se o uso de sistemas e ferramentas que protejam dados e informações confidenciais, a fim de prevenir que caiam em mãos erradas.
Envelhecimento e Longevidade: Um desafio estratégico para as empresas
5 de Dezembro de 2023 | Christiane Lise Denise – CEO Quanta Tema de preocupação das empresas fez com que a previdência privada passasse a ser uma ferramenta de ESG dentro das corporações no intuito de reter talentos Hoje, mais do que nunca, o envelhecimento da população é um tema central nas conversas globais. Com o aumento da expectativa de vida, as empresas enfrentam a necessidade de apoiar uma força de trabalho mais madura e oferecer opções de descanso que garantam uma vida digna após uma carreira ativa. O desafio não é apenas garantir a estabilidade financeira dos funcionários durante a aposentadoria, mas também promover uma cultura de responsabilidade social corporativa. Diante deste cenário, onde o planejamento financeiro para o futuro é de extrema importância, a previdência privada surge como uma ferramenta fundamental não apenas para indivíduos, mas também para as empresas, especialmente quando se trata de questões de ESG (Ambiental, Social e Governança). Essa relação entre previdência privada e ESG refere-se à maneira como os princípios ESG podem influenciar e serem considerados na gestão e investimentos de fundos de previdência. Hoje, este benefício desempenha um papel crucial na vida dos funcionários e nas estratégias de recursos humanos das organizações. Mercado de oportunidades O tema se tornou uma preocupação dentro das corporações justamente pelo crescimento da longevidade da população e os impactos que ela tem gerado em diversos setores da economia, mudando o cenário do mundo dos negócios. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a expectativa de vida de uma pessoa nascida na década de 1940 era de 45 anos. Este número aumentou significativamente para 76 anos em 2019. Estudos apontam que em 2050, serão mais de 2,1 bilhões de pessoas acima de 60 anos. Os dados não param por aí. Segundo a empresa Data8, especializada em estudos sobre comportamento e hábitos de consumo dos brasileiros com mais de 50 anos, a Economia Prateada já é responsável por movimentar mais de R$ 2 trilhões ao ano no Brasil. Já no Mundo é considerada a terceira maior atividade econômica, movimentando anualmente US$ 15 trilhões, mais que o PIB da China. Segundo a especialista em Economia Prateada e CEO da Quanta Previdência, Denise Maidanchen, a previdência privada se destaca como uma solução que transcende fronteiras geracionais e atende às preocupações sociais fundamentais. “A longevidade é uma das maiores transformações do século 21, trazendo consigo uma série de desafios para uma vida mais longa e de qualidade. No entanto, também abre um vasto leque de oportunidades no campo do empreendedorismo na economia prateada. Esse setor já atende a uma impressionante quantidade de 37 milhões de indivíduos e está ávido por oportunidades de desenvolvimento de produtos e serviços que possam atender de forma exemplar às necessidades daqueles com mais de 50 anos”. E foi justamente atento ao mercado e as necessidades dele, que a Quanta Previdência, criada em 2004 e capitaneada pela Cooperativa Financeira Unicred, criou o plano Cooprev. O produto não possui finalidade lucrativa e foi criado com base na filosofia cooperativista. Isso significa que 100% da rentabilidade é repassada ao participante ou aos seus beneficiários. “Ao desenvolvermos este plano, nosso objetivo primordial era garantir uma verdadeira liberdade financeira por meio de um planejamento financeiro abrangente e eficiente. Focamos em aspectos fundamentais como a aposentadoria, o planejamento tributário, a sucessão patrimonial e, é claro, o planejamento financeiro como um todo.”, explica Denise. Uma pesquisa realizada em 2021 pelo Instituto Ipsos, uma das maiores empresas de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo, 81% dos brasileiros acreditam que a previdência privada é importante para garantir uma aposentadoria tranquila. Essa segurança financeira além de ser fundamental para o bem-estar dos colaboradores, contribui para a retenção de talentos nas empresas. “Quando uma empresa oferece um benefício previdenciário, está, na verdade, incentivando a conscientização financeira e a reflexão sobre o envelhecimento e a longevidade. Esses são os elementos essenciais que têm o poder de transformar a mentalidade das pessoas, permitindo que elas possam desfrutar de uma aposentadoria com independência financeira”, finaliza Denise. As empresas que decidem oferecer esse tipo de benefício ao seu quadro funcional estão fazendo um investimento inteligente que certamente trará retornos excepcionais. Além disso, essa decisão traz consigo diversas vantagens fiscais tanto para a organização quanto para os colaboradores, proporcionando segurança financeira e incentivando as pessoas a poupar.
Longevidade em Ascensão: Expectativa de Vida no Brasil sobe para 75,7 anos de idade
5 de Dezembro de 2023 | Redação Estimativa de vida aumenta no Brasil – Crédito: Divulgação Novas informações divulgadas pelo IBGE revelam um avanço notável na expectativa de vida no Brasil, apontando para um cenário de maior longevidade. Esse crescimento é fruto de mudanças comportamentais e do desenvolvimento urbano, refletindo-se no acesso expandido à infraestrutura e saneamento básico tanto em áreas rurais quanto urbanas. A redução de doenças infecciosas está diretamente ligada a esses avanços, além da eficácia das campanhas de imunização que têm controlado e erradicado patologias que anteriormente geravam altos índices de mortalidade ao longo do século XX. Com o Brasil testemunhando um aumento expressivo na longevidade ao longo das últimas décadas, a expectativa de vida saltou de 45,5 anos em 1940 para 76 anos em 2017, um incremento significativo de 30,5 anos. Segundo dados das Tábuas da Mortalidade, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio de Janeiro no último 29 de novembro, a expectativa de vida ao nascer no Brasil em 2022 alcançou 75,5 anos. Este dado, que reflete a longevidade dos brasileiros, apresentou uma recuperação parcial no ano passado, após dois anos consecutivos de declínio em 2021 e 2020, períodos marcados pelas consequências da pandemia de covid-19. Diferentemente dos anos anteriores, este estudo foi construído com base no Censo Demográfico de 2022, em contraste com projeções populacionais revisadas em 2018, que se baseavam no Censo de 2010 para calcular a expectativa de vida. Esses números revelam os impactos inéditos da pandemia de covid-19 na expectativa de vida dos brasileiros, levando o IBGE a revisar os dados divulgados anteriormente. As estimativas preliminares apontam que, em 2020, a expectativa de vida foi de 74,8 anos, ou seja, dois anos a menos do que o anteriormente estimado em 76,8 anos. Já em 2021, considerado o ano mais crítico da pandemia em termos de mortalidade, a projeção foi de 72,8 anos, representando uma diminuição de 4,2 anos em relação aos 77 anos publicados anteriormente. Izabel Marri, pesquisadora do IBGE diz, em entrevista à Agência Brasil que “A esperança de vida de 2022 é como se a gente recuperasse um pouco a esperança de vida em relação ao pior ano da pandemia. Passado o pior ano, com o maior aumento de óbitos do mundo, a gente consegue recuperar um cálculo de esperança de vida ao nascer”, afirma Marri. Marri acredita que, em 2023, cujos dados sairão apenas em 2024, a expectativa de vida continuará crescendo, recuperando as perdas ocorridas durante a pandemia. “A gente já recuperou um pouco o nível de esperança de vida ao nascer e a gente tende a recuperar um pouco mais no próximo ano”, argumenta a pesquisadora. Ainda de acordo com a Agência Brasil, foi apurado que em relação aos sexos, a expectativa de vida das mulheres ficou em 79 anos, abaixo dos 80,1 anos de 2019, enquanto a dos homens ficou em 72 anos, taxa também inferior aos 73,1 anos de 2019. A probabilidade de morte do recém-nascido – registrada em 2022 – ficou em 12,84 por mil nascidos vivos, acima dos 11,94 por mil de 2019. Entre os homens, a taxa foi de 13,94 (superior aos 12,85 de 2019), enquanto entre as mulheres foi 11,69 (maior que os 10,98 de 2019).
A revolução tecnológica e a economia da longevidade: desafios e oportunidades
5 de Dezembro de 2023 | Hever Costa Lima A inovação com a Internet das Coisas, 5G, Inteligência Artificial e telecomunicações permite a criação de serviços interconectados e personalizadosCrédito: Freepik Explorando o impacto da tecnologia na economia da longevidade e como ela está transformando a vida do público sênior no Brasil O avanço tecnológico tem trazido grandes transformações para a humanidade, tanto no aspecto econômico quanto no social. A indústria da tecnologia movimenta bilhões de reais e gera milhares de empregos, além de facilitar o acesso à informação, ao entretenimento e à interação social por meio da internet. Um dos segmentos que mais se destaca nesse cenário é o da economia da longevidade, que visa atender às demandas e às necessidades do público sênior. Segundo uma pesquisa da Pipe.Social, uma plataforma de negócios de impacto, existem 343 empresas no Brasil que oferecem soluções inovadoras para esse público, desde aplicativos para cuidados com a saúde até experiências de bem-estar e planejamento do final da vida. No entanto, é importante notar que a implementação e adoção dessas inovações podem ser desafiadoras devido a barreiras como a falta de acesso à tecnologia, a resistência à mudança, e a falta de conhecimento sobre como usar essas novas ferramentas, sobretudo, pelo público 60+. Portanto, é crucial que essas soluções sejam projetadas levando em consideração as necessidades e capacidades específicas dos maduros. Essas soluções são possíveis graças aos avanços em áreas como Internet das Coisas, 5G, Inteligência Artificial e telecomunicações, que permitem a criação de serviços interconectados e personalizados. Essas tecnologias estão mudando nosso estilo de vida e nosso consumo, trazendo benefícios para toda a sociedade. Entretanto, há um desafio para a inovação. Entender a experiência do usuário, identificar problemas e dificuldades e trabalhar para melhorá-los e resolvê-los será um divisor de águas para a Longevidade. O CEO da Sambatech, Gustavo Caetano, destaca que a tecnologia está cada vez mais presente em nosso cotidiano, muitas vezes de maneiras que nem percebemos. Exemplos disso são televisores e geladeiras inteligentes, cafeteiras e máquinas de lavar com recursos de programação cada vez mais sofisticados, e até mesmo ações simples que nos permite acender e apagar as luzes com um comando de voz envolve inovação. “A tecnologia está se tornando uma parte tão integrada de nossas vidas que muitas vezes nem percebemos que ela está lá”, pontua. Os inovadores As grandes empresas de tecnologia estão cada vez mais focadas no crescente mercado da longevidade. A Apple, por exemplo, adicionou recursos ao seu smartwatch que incluem detecção de queda, monitoramento de ritmo cardíaco e compartilhamento de localização com familiares. A Amazon também tem aprimorado sua assistente virtual, Alexa, para melhor atender os idosos e seus familiares, com funções como lembretes de horários para tomar remédios, monitoramento à distância e acesso a profissionais de saúde. Além disso, empresários bilionários ao redor do mundo, como Larry Ellison, fundador da Oracle, Peter Thiel, cofundador do PayPal, e Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, têm investido em pesquisas voltadas para o combate ao envelhecimento e a busca pela cura e prevenção de doenças. A Fundação Hevolution, organização sem fins lucrativos planeja investir até US$ 1 bilhão por ano para promover o avanço global da gerociência, uma área de estudo que investiga os mecanismos celulares e genéticos ligados ao envelhecimento e ao surgimento de doenças crônicas. A missão da fundação é prolongar a vida saudável para o benefício de toda a humanidade, financiando pesquisas básicas de longo prazo, acelerando o desenvolvimento de novos medicamentos e garantindo que as inovações na ciência e na medicina relacionadas à idade sejam acessíveis a todos em todo o mundo. Casa interativa A mudança na estrutura familiar e o aumento da longevidade têm levado a um crescimento no número de idosos que vivem sozinhos. No Brasil, mais de 4 milhões de pessoas com mais de 60 anos vivem sozinhas, incluindo mais de 290 mil na cidade de São Paulo, das quais 22.680 têm mais de 90 anos. O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, professor aposentado da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que o Brasil está envelhecendo muito rápido. “A França, para passar de 7% da população idosa para 28%, vai gastar 200 anos. O Brasil vai gastar só 50 anos. O Brasil, a China e outros países tiveram uma transição muito rápida”. No contexto, espera-se um aumento nos serviços que possam atender à demanda do 60+, o que requer o desenvolvimento de novas estratégias para promover o bem-estar. As moradias inteligentes e conectadas desempenham um papel crucial, servindo como uma unidade funcional para a gestão da qualidade de vida. Exemplo disso são as moradias que já podem contar com estações de Tele Home Care (THC) para facilitar o contato entre o usuário e o profissional de saúde e promover o acompanhamento à distância; robôs de telepresença, que permitem que os familiares participem mais ativamente do dia a dia dos idosos; e aparelhos e sensores que monitoram os sinais vitais. Além disso, condomínios de casas ou prédios podem ser equipados com health center, espaços de convivência e hobby, estruturas de incentivo à prática de atividade física e até mesmo áreas humanizadas focadas no fim da vida. A ideia é oferecer às pessoas um ambiente saudável para que possam adotar um novo estilo de vida e viver com independência e autonomia. Arquitetos e engenheiros têm um papel importante nessa cadeia de cuidado, projetando casas inteligentes focadas em promover a saúde e o bem-estar dos idosos. Envelhecimento Saudável A inovação com a Internet das Coisas, 5G, Inteligência Artificial e telecomunicações permite a criação de serviços interconectados e personalizadosCrédito: Freepik Uma sociedade para todas as idades é o objetivo da “Década do Envelhecimento Saudável 2021-2030”, uma iniciativa da Assembleia Geral das Nações Unidas, lançada em dezembro de 2020. Para alcançar essa meta, quatro eixos devem orientar as ações: transformar a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação ao envelhecimento; apoiar as comunidades para que valorizem as capacidades das pessoas idosas; oferecer serviços de cuidados
Artigo: Viver é envelhecer
(crédito: Maurenilson Freire) 4 de Dezembro de 2023 | Por Patrick Selvatti A população brasileira está 57% mais envelhecida. Os números do Censo 2022 revelam que estamos vivendo mais e isso nos leva a diversas reflexões sociais, políticas, econômicas, comportamentais e de saúde. Principalmente no que se refere a um mal chamado etarismo. É possível constatar que grande parte dessas pessoas que atravessam a porta dos 65 anos lamenta a própria sorte. Como se atingir essa etapa da vida fosse o estágio final. Isso porque, para a sociedade, ainda é sobre acumular idosos. Envelhecer, porém, é um sintoma de que estamos vivendo mais. E a longevidade, acima de tudo, deve ser comemorada. Na Bíblia Sagrada, veremos que os anciãos eram personagens comuns. No Antigo Testamento, os anciãos Abraão e Sara, com cerca de 100 anos, estão no protagonismo de um enredo de maternidade. Na atualidade, contudo, pessoas idosas são coadjuvantes e, em alguns casos, atiradas a uma mera figuração. E isso ocorre, muitas vezes, no próprio núcleo familiar. Em quantos lares os vovôs e as vovós não são tratados como mobília? Na contemporaneidade, tornar-se idoso deixou de ser um privilégio para se tornar um peso. Se antes um ser humano mais velho era considerado um sábio a quem todos respeitavam, agora a ótica é de receio, estranheza e até desprezo. No trânsito, no trabalho, na fila do banco, no ônibus. Especialmente quando há a prerrogativa de atendimento preferencial. E há, sim, um desrespeito ainda maior às mulheres que avançam no tempo. Até porque elas são a maioria. No Distrito Federal, segundo o IBGE, quase 60% dos que têm acima de 65 anos são do sexo feminino. O que escancara, ainda mais, outro ponto relacionado à capacidade de ter uma vida longeva: no geral, os homens se cuidam menos. Lamentavelmente, o Censo 2022 ainda não consolidou o recorte LGBTQIAPN . Os dados específicos comprovariam que os homossexuais do sexo masculino — que tradicionalmente flertam com um cuidado maior com estética e estilo de vida — vivem mais que os heterossexuais. Essa preocupação com a qualidade de vida se converge em longevidade, mas não em uma velhice menos enfadonha. A busca constante por um corpo rejuvenescido é maior porque há uma cobrança intrínseca ao meio. O preconceito é duplicado por ser um gay velho — e se multiplica com racismo, classismo e gordofobia. Por muitos que habitam esse lugar não terem a aceitação da família nem filhos, a solidão é um encontro inevitável e cruel como a morte. Em sua obra A velhice, Simone de Beauvoir explicita que o receio de se tornar velho vem muito do medo de encarar a finitude. Para que prolongar um sofrimento? Doenças relacionadas à mente e à alma têm exterminado povos tanto quanto o câncer e doenças cardíacas. A depressão é uma bomba invisível atirada pela guerra social. Há um terrorismo subliminar que nos apavora em relação ao envelhecimento e que nos faz questionar se vale a pena entrar para essa estatística da longevidade. Mas a própria pensadora conclui: viver é envelhecer, nada mais. Que isso se naturalize.