18 de Novembro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Cachorros | Créditos: Secom / Santana de Parnaíba Estudo realizado no Japão revela que pessoas idosas que possuem cachorros têm um risco menor de desenvolver problemas físicos e cognitivos com o passar dos anos Não é preciso ir muito longe para encontrar pessoas que tenham histórias tocantes sobre animais de estimação. A companhia de um pet exige uma série de cuidados e responsabilidade por parte do tutor, mas essa parceria também pode trazer diversos benefícios para a saúde mental e física. Um estudo publicado pela revista científica Plos One revelou que pessoas idosas que possuem cachorros têm um risco menor de desenvolver problemas físicos e cognitivos com o passar dos anos. A pesquisa foi feita no Japão entre 2016 e 2020, e coletou informações sobre a experiência com os animais de estimação de 11.233 pessoas, entre 65 e 84 anos de idade. Durante os três anos e meio, os participantes foram acompanhados e foi analisado o desenvolvimento de deficiências cognitivas e físicas. Dentro da amostra, 13,8% cuidavam de cães ou gatos; 29,5% relataram já terem convivido com um dos dois animais algum dia; e 56,8% nunca tiveram bichos. Durante o período do estudo, 17,1% dos participantes desenvolveram alguma incapacidade física ou cognitiva e 5,2% morreram. Considerando uma série de variáveis, como sexo, idade e histórico de doenças crônicas, os pesquisadores constataram que os donos de cachorros tinham riscos significativamente menores de apresentar algum declínio em comparação com o grupo de longevos que nunca teve o animal de estimação. Conforto emocional Para entender mais sobre esses benefícios, a equipe do The Silver Economy entrevistou a psicóloga Valéria Rodrigues Cassis (CRP 64516). A profissional explicou que, principalmente após os 50 anos, ter um animal de estimação proporciona uma série de benefícios emocionais e psicológicos: “Os animais de estimação oferecem conforto emocional, ajudando a estruturar uma rotina de cuidados que estimula a motivação diária e traz uma forte sensação de propósito, o que é especialmente importante nas fases da vida em que as atividades sociais podem diminuir”. Esse é o caso de Sonia Maria Rodrigues, 54 anos, que adotou a brincalhona Rihanna. Sonia conta que a cachorrinha levou muita alegria para a família, pois sua filha tinha depressão e seu outro pet (da raça pastor alemão), não era muito ativo, se isolando de interações. No entanto, com a chegada de Rihanna, tanto a filha de Sonia quanto sua outra cachorra tiveram suas vidas transformadas pela alegria e hiperatividade contagiante dela. A família de quatro patas cresceu e hoje em dia a Rottweiler, Pantera, também faz parte das brincadeiras. Da esquerda para direita: Loba, Pantera e Rihanna | Créditos: Arquivo pessoal – Sonia Maria Rodrigues Além de aliviar a solidão, os animais de estimação promovem o bem-estar geral e incentivam o cultivo ao cuidado: “Interagir com eles libera endorfinas, hormônios associados ao prazer e ao alívio do estresse, ajudando a reduzir sintomas de ansiedade e depressão”, diz Valéria. Luciana do Rocio Mallon, 50 anos, relata que sua saúde física e mental foi alterada desde que três gatos filhotes apareceram em seu quintal ano passado: “Como também sou professora de Dança, passei a fazer exercícios perto dos animais, que começaram a participar das atividades de alguma forma. Inclusive tenho vídeos com eles dançando comigo. Toda a vez que sinto ansiedade, chego perto dos gatos, converso e faço carinho. Assim a ansiedade diminui um pouco quando faço isso. Assim que passei a brincar com gatos, minhas crises de úlcera diminuíram”. Luciana e seu gato | Créditos: Arquivo pessoal – Luciana do Rocio Mallon Incentivo ao exercício Um dos pontos mais destacados na pesquisa divulgada pelo Plos One é como as caminhadas que os donos de cães realizam regularmente contribuem com menores índices de desenvolvimento de problemas físicos e cognitivos. A doutora Valéria destrincha os benefícios desse costume: “o incentivo ao exercício, através de atividades como passeios, ajuda a melhorar a circulação, fortalecer os músculos e reduzir o risco de problemas cardíacos. Interagir com o animal de estimação também pode contribuir para a saúde cardiovascular, promovendo a pressão arterial e fortalecendo o sistema imunológico”. Além disso, a psicóloga explica que atividades de baixo impacto, como a caminhada com o pet, são benéficas para as articulações, pois ajudam a manter a circulação ativa e podem até reduzir os níveis de colesterol. Animais de assistência emocional A companhia de um bicho de estimação pode dar um significativo suporte emocional na vida de um indivíduo. O fato é comprovado por profissionais da psicologia, e existem até mesmo leis de outros países que regulamentam a presença dos pets em espaços comuns. Segundo a farmácia de manipulação veterinária, Fórmula Animal, animais de apoio emocional ou Animais de Assistência Emocional (Esan), como são oficialmente chamados, são animais que ajudam pessoas com problemas psiquiátricos, como ansiedade, depressão e estresse. Eles podem ser cães, gatos, coelhos e até mesmo tartarugas, e atuam para fornecer conforto, apoio e segurança emocional ao tutor. “Os animais de apoio emocional não são considerados pets terapeutas, nem animais de serviço: seu principal papel é oferecer presença, companhia e afeto, ajudando a tranquilizar o tutor em diferentes momentos e também contribuindo para a independência da pessoa”, segundo site oficial da Fórmula Animal. Valéria complementa como um animal de estimação pode oferecer companhia e lealdade: “Eles ajudam seus tutores a enfrentar momentos difíceis, fornecendo conforto e estabilidade emocional. Essa presença constante e afetuosa pode ser fundamental para aliviar o estresse e fortalecer a resiliência emocional em várias etapas da vida”. Unidade Básica de Saúde Animal Localizada no Jardim Prof. Benoá, interior de São Paulo, a Unidade Básica de Saúde Animal (UBS Animal) de Santana de Parnaíba é uma iniciativa da Prefeitura para atender pets de tutores em situação de vulnerabilidade social. Por causa dela, Sonia e outras pessoas que residem no município e participam de algum benefício ou programa social, podem adotar e cuidar de seus animais. Entre os procedimentos e consultas disponíveis no Bem-Estar Animal, os animais são castrados, microchipados e recebem coleiras de
Setor de turismo está em ascensão e é prioridade para 42% dos brasileiros 50+
14 de Novembro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Mala e passaporte | Créditos: nappy – Pexels Iniciativas nacionais e empresas voltadas ao setor de viagens fomentam a economia prateada no país Dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em setembro deste ano, indicam que o setor de turismo está finalmente se estabilizando após o período de pandemia da Covid-19. O número de domicílios em que houve viagem aumentou em 68,5% de 2021, onde o número era de 9,9 milhões, para 2023, agora com 15,3 milhões. Na distribuição das viagens pessoais realizadas por motivo de lazer, de 2020 para 2023, houve redução de 9,4 p.p. das viagens em busca de sol e praia, e um aumento de 6,0 p.p. das viagens em busca por cultura e gastronomia. Os novos comportamentos do consumidor no setor despertam a curiosidade para atender as demandas deste público. Na economia prateada, existem empresas que oferecem serviços voltados exclusivamente ao turismo e hotelaria para pessoas maduras. Essa é a proposta do Residencial Club Lege, por exemplo: um hotel para pessoas idosas que fica localizado na região do Parque Estadual do Jaraguá, em uma área verde de 110 mil metros quadrados que fica a apenas 30 minutos do centro, na zona oeste de São Paulo. As modalidades oferecidas permitem o acesso a toda infraestrutura do local ao longo de um dia, um final de semana ou uma temporada. Segundo o site oficial da companhia, esse tipo de hospedagem é ideal para quem deseja fazer novas amizades e compartilhar vivências. Turismo Prateado O estudo Tsunami Latam 2023, realizado pela Data8, No pausa, OpinionBox e Pontes, compila uma série de dados sobre o envelhecimento da população latino americana. Entre as tendências deste grupo, foi divulgado que “viagens e turismo” são uma prioridade para 42% dos brasileiros com mais de 50 anos no país. Tal tópico está entre os assuntos mais recorrentes na rotina de 50% dos latino-americanos dessa faixa etária, ficando atrás apenas de “saúde”. Analisando toda a América Latina, os serviços de viagem representaram 39% de preferência entre as demandas de produtos e serviços, para latinos de 55 a 64 anos. Ainda, 57% das 8.545 pessoas entrevistadas com mais de 55 anos afirmam que querem viajar mais. Iniciativas nacionais Lançado oficialmente em julho deste ano, pelo Ministério dos Portos e Aeroportos, o programa Voa Brasil faz parte de uma série de iniciativas do governo federal para facilitar o acesso a serviços essenciais. Com o programa, todos os aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) podem viajar pelo país com passagens de até R$ 200 por trecho, independente da faixa de renda. Entre os requisitos, podem adquirir a passagem aposentados do INSS que não tenham viajado de avião nos últimos 12 meses. Também, será necessário que a conta do gov.br do indivíduo esteja no nível prata ou ouro (para subir de nível, é necessário atualizar os dados com documentos). Segundo o governo, cerca de 23 milhões de pessoas podem ser beneficiadas pelo primeiro programa de inclusão social da aviação brasileira.
Trabalho depois dos 60: Mais de 8 milhões de brasileiros longevos estavam ocupados no segundo semestre de 2024
12 de Novembro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Homem maduro toma o seu café | Créditos: Nicola Barts – Pexels Fatores como o crescimento da população idosa no país e necessidade de complementação de renda fomentam o aumento de maduros no mercado de trabalho Dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o número de profissionais ocupados com mais de 60 anos no país somam cerca de 8,042 milhões. A apuração é referente ao segundo trimestre de 2024. O número é o maior que o país já viu em todos esses anos. Para comparação, no primeiro trimestre de 2012, quando esse tipo de levantamento começou a ser realizado, a quantidade de pessoas trabalhando nessa faixa etária era de 4,934 milhões. Com esse aumento, as empresas começam a prestar atenção nos novos perfis de funcionários maduros, e desenvolvem projetos que abrangem até mesmo frentes de inclusão e combate ao etarismo. Aumento progressivo Existem alguns fatores que justificam o crescimento de pessoas longevas no mercado de trabalho, como o aumento de pessoas idosas no Brasil. A elevação da expectativa de vida média e a diminuição da taxa de natalidade nos últimos anos fez com que a população brasileira com 60 anos ou mais quase duplicasse em comparação com os anos 2000. As Projeções da População indicam que, num período de 24 anos, a porcentagem de idosos subiu de 8,7% para 15,6% no país. Também, a Reforma da Previdência de 2019, que elevou a idade mínima da aposentadoria, obrigou que as pessoas trabalhassem por mais tempo. Mas, mesmo após se aposentarem, muitos maduros buscam continuar atuantes no mercado de trabalho para complementar a renda da aposentadoria. Fatores comportamentais estão inclusos nesse aumento progressivo, como a necessidade de permanecer física e socialmente ativo, devido a rotina de tarefas decorrente das ocupações, que causa grande impacto na saúde mental dos indivíduos longevos. Esse é o caso de Vera Lucia Muniz, de 60 anos, que atualmente trabalha na Nestlé, na Boutique Nespresso, no shopping Morumbi, em São Paulo. Em entrevista ao Estadão, Vera contou: “Voltei a trabalhar para conhecer pessoas, para me relacionar mais e pela parte financeira. Só com a aposentadoria não se vive. […] A gente se aposenta naquela ilusão. Vou viajar, passear bastante, mas a realidade é que não dá para fazer tudo isso. […] Em casa, eu me sentia muito solitária”, afirmou Vera ao jornal. Adaptações do mercado de trabalho Com o aumento da faixa etária dos funcionários, as empresas e companhias de contratação começam a fomentar a intergeracionalidade, ou seja, o convívio de pessoas com diferentes idades. Algumas iniciativas, como a consultoria Maturi, incentivam a diversidade etária divulgando vagas para pessoas longevas e elaborando campanhas que visam o combate ao etarismo pela desmistificação da imagem de pessoas com 60 anos ou mais. No entanto, mesmo com mais espaços para essas discussões atualmente, a informalidade para essa faixa etária continua a crescer. Entre os profissionais com mais de 60 anos, 53,5% dos ocupados estão atuando em trabalhos informais. O resultado só fica abaixo da faixa etária de 14 a 17 anos (72,9%), segundo dados da PNAD. A precarização dos maduros no mercado de trabalho ainda é muito forte, até mesmo a identificação do problema não é devidamente executada pelas corporações. Um levantamento recente da empresa de recrutamento Robert Half América do Sul, em parceria com a Labora, mostrou que 70% das companhias não têm indicadores claros para medir o avanço de suas ações, o que faz com que muitos ambientes corporativos sejam alheios ao preconceito etário. Em entrevista ao Estadão, Lucas Assis, economista da consultoria Tendências, fez uma análise sobre como o trabalhador maduro se torna suscetível a aceitar trabalhos precarizados, principalmente se já for aposentado, devido a necessidade de completação de renda pelo custo de vida elevado: “Os profissionais mais velhos estão dispostos a atuar em diversas condições de trabalho, confirmando a vantagem da contratação do trabalhador idoso, pois, se aposentado, a tendência é o trabalhador aceitar uma vaga com baixas garantias trabalhistas”, diz Lucas Assis.
Mapeamento pioneiro aponta achados do envelhecimento populacional brasileiro
05 de Novembro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Mãos sobre pernas | Créditos: Parij Photography – Pexels Mais de 400 iniciativas e 30 frentes relacionadas a longevidade foram identificadas pelo país O Lab Nova Longevidade, juntamente com a organização Ashoka, Instituto Beja e Itaú Viver Mais, lançou o primeiro Mapeamento de Inovação Social em Longevidade no Brasil. A pesquisa tem como objetivo identificar e promover a conexão entre atores que estão ajudando a repensar o envelhecimento no país. “O envelhecimento populacional é um fenômeno global assim como a revolução tecnológica que acompanha essa evolução etária, transformando o modo ‘como nossos pais’ e também avós acessam recursos de saúde, buscam informação, trabalham, votam, participam e contribuem para suas famílias, comunidades e sociedade. Não somos os mesmos. Vivemos mais e queremos viver melhor, longe do aposento, destino culturalmente reservado aos aposentados até pouco tempo atrás.”, relata o Nova Longevidade em seu site. A metodologia do projeto foi composta por três fases: mapeamento do ecossistema (onde houve coleta e análise de dados via formulário online); perspectivas do ecossistema (onde foram realizadas entrevistas com principais atores do meio); e insights sistêmicos do ecossistema (onde, através das respostas, foram extraídos insights considerando sete dimensões: econômica, política, legal, organizacional, cultural, tecnológica e de métricas). Na matéria de hoje, vamos compilar os pontos mais importantes desta análise: Iniciativas e frentes pelo Brasil Foram identificadas 403 iniciativas e 30 frentes de ação que visam repensar a longevidade do Brasil. Além do Distrito Federal, 25 dos 26 estados brasileiros participaram do mapeamento com pelo menos uma iniciativa. As exceções foram os Estados do Acre e de Rondônia, na Região Norte. Em relação às maiores concentrações de iniciativas, estão São Paulo (42,2%), Rio de Janeiro (10,2%), Minas Gerais (9,7%), Pernambuco (7,2%), Rio Grande do Sul (5,2%) e Bahia (5,0%). Maturidade das iniciativas e linha de inovação Das iniciativas mapeadas 98,5% possuem 5 anos ou mais de atuação. Além disso, 98,5% delas acreditam causar impacto social com seu trabalho. Em relação a contribuição das iniciativas em temas relacionados à longevidade, o “Envelhecimento Saudável” representou a maior parte das respostas, com 82%. Já o menor tema foi “Educação Midiática”, responsável por 17% das respostas. Inclusão intergeracional O mapeamento mostrou a percepção do ecossistema (respondentes) sobre os efeitos negativos do idadismo (estereótipos, preconceitos e à discriminação em relação à idade) em suas manifestações culturais, institucionais e interpessoais. Na economia, o fator tem forte relação com a exclusão de pessoas idosas do mercado de trabalho. Na política, foi apontado como motivo para que cidadãos e representantes se afastem da pauta do envelhecimento, evitando a identificação com o tema. No indivíduo, o autoidadismo foi identificado como limitante para aprendizado e participação. Ajudando a redefinir as percepções sociais sobre o envelhecimento, 74% das iniciativas identificaram a promoção de conexão social e/ou colaboração intergeracional como uma de suas prioridades, impulsionando a inovação, o aprendizado e expandindo as oportunidades de participação. Ainda, a inclusão e o letramento digitais foram apontados como condicionantes para participação e envolvimento significativo de pessoas idosas na sociedade. No entanto, o ecossistema apontou para a ausência de uma cultura do cuidado, que se desdobra na falta de consciência, preparo, reconhecimento e suporte aos cuidadores informais e familiares. Barreiras para uma sociedade participativa e equitativa A educação foi identificada pelo ecossistema como uma das principais barreiras para uma sociedade participativa e equitativa para todas as idades. Em suas seis vertentes foram categorizadas em: Educação Formal; Capacidade de Informação e Tomada de Decisão; Aprendizado ao Longo da Vida; Formação em Geriatria e Gerontologia; Educação para Saúde; e Educação para Longevidade. As demais barreiras observadas foram: – Desigualdades acumuladas ao longo da vida; – Na fila por saúde de qualidade; – O direito de ir e vir e de participar; – Garantias para envelhecermos como cidadãos; – Uma cultura jovem-cêntrica. 6 conselhos para o ecossistema Como conclusão da pesquisa, o mapeamento traz um conjunto de seis análises feitas em conjunto com o “Cérebro Nova Longevidade”, a Inteligência Artificial (IA) especialista em Inovação Social para Longevidade. A IA tem como objetivo ser uma sabedoria coletiva a serviço de inovadores sociais atuando no campo da longevidade. Seguem os seis conselhos para o ecossistema abaixo: 01) Construa uma narrativa positiva sobre o envelhecer; 02) Valorize experiências de forma holística; 03) Produza e dissemine conhecimento qualificado; 04) Incentive a inovação; 05) Concentre-se em oportunidades econômicas; 06) Crie demanda por meio da visibilidade.
O impacto da revolução da longevidade na economia nacional: avanços e desafios
01 de Novembro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Homem maduro correndo | Créditos: Barbara Olsen – Pexels Mesmo com movimentação trilionária em ascensão no mercado, população madura ainda encontra dificuldades de inclusão intergeracional na sociedade Assim chamada pela cor acinzentada do fio de cabelo, a economia prateada é responsável por movimentar R$ 1,6 trilhões no Brasil, segundo dados da consultoria Data8. No entanto, mesmo com renda trilionária, muitas marcas e companhias não se comunicam adequadamente com esse público, e acabam priorizando suas campanhas, majoritariamente, para gerações como Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e Z (nascidos entre 1997 e 2012). A questão é que os longevos continuarão em ascensão no Brasil, e até 2070, irão compor cerca de 37,8% da população nacional segundo as Projeções da População, pesquisas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consequentemente, a circulação de capital em serviços que atendem as demandas dessa faixa-etária tende a aumentar. Observamos então, o impacto que a revolução da longevidade tem no mercado brasileiro. A equipe do The Silver Economy entrevistou o analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano, para entender pontos importantes da economia prateada no Brasil. Jefferson explica que o país passou por um aumento da expectativa de vida de modo mais acelerado do que outras economias emergentes, e isso está sendo refletido no poder de consumo da população 50+: “Como no mercado de trabalho as remunerações são mais elevadas para as faixas etárias superiores, observa-se no Brasil o surgimento de um contingente com potencial de consumo expressivo”. Algumas áreas de produtos e serviços voltados para esse público tiveram crescimento notável nos últimos anos, principalmente em setores de seguros, alimentação e saúde. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada recentemente, outro setor que também observou aumento foi o turismo, tendo em vista a ascensão do número de viagens de pessoas com 60 anos ou mais. Ainda, a pesquisa revela um salto na inclusão digital dos maduros, grande parte desta população passou a utilizar serviços digitais e aparelhos smartphones. O analista observa que, no médio prazo, os maduros devem se tornar a principal fatia a ser explorada pelo mercado: “Em primeiro lugar, em razão do crescimento do número de idosos no Brasil. Essa parcela da população aufere rendimentos mais elevados e em algumas cidades do país, especialmente no interior, os aposentados representam o segmento com rendimentos mais elevados”. Outros motivos impulsionam os longevos aposentados a entrarem na mira do mercado: “Também, em razão da elevada informalidade na economia brasileira, os aposentados acabam se tornando alvo preferencial do sistema financeiro em razão de poder oferecer garantias.”, conclui Jefferson. No entanto, apesar de serem consumidores ativos, a falta de planos de inclusão intergeracional nas companhias e contratantes acaba afetando a carreira destes maduros: “ainda existem barreiras concernentes à contratação de pessoas mais velhas em alguns setores da economia. Muitos idosos que se aposentam e retornam ao mercado de trabalho não encontram emprego compatível com sua experiência e acabam desenvolvendo atividades precárias” diz o analista. E não é só nas empresas que o etarismo é reproduzido, muitos elementos e pensamentos enraizados na sociedade marginalizam e estereotipam o público maduro. “Vale lembrar que as placas de identificação de locais reservados para pessoas idosas ilustram uma pessoa curvada com bengala. No Brasil, são consideradas idosas pessoas com 60 anos ou mais. Não é verdade que a maior parcela dessa faixa etária utilize bengala ou tenha restrições de mobilidade”, explica Jefferson. Apesar disso, existem maneiras de mitigar esse preconceito. Um dos pontos importantes é a contratação de pessoas com mais de 50 anos. Jefferson conta que essa prática não se limita somente no período da contratação, mas, sendo feita de maneira efetiva, faz com que o indivíduo longevo possa ativamente contribuir para a instituição, usando sua experiência profissional. Quando aplicada ao varejo, é possível ver os resultados desta prática na mudança da comunicação das marcas com o público: “Especialmente no varejo, a contratação e permanência de idosos ativos tende a fazer com que os clientes se identifiquem com a marca. Acredito que essa decisão tenha um efeito demonstração e acabe por influenciar decisões relacionadas a estratégias de marketing”, ressalta o economista.
Indústria da beleza e longevidade: marcas que conversam com o público maduro
29 de Outubro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Mulher madura cuida de sua pele | Créditos: Ron Lach – Pexels Como o envelhecimento começou a ser abordado positivamente pelas empresas de cosméticos As inovações na indústria da beleza são constantes. Com o passar dos anos, as marcas vão modificando seus produtos e ressignificando a comunicação com o público. O que antes não era visto com tanta atenção, hoje domina as prateleiras dos consumidores. Um aumento expressivo que pode ser usado como exemplo é o skin care, ou seja, uma classe de medicamentos e cosméticos que cuidam da pele. Segundo a consultoria Statista, que considera outros canais de vendas para além das farmácias, o segmento de skin care no mercado brasileiro vai passar de US$ 3,16 bilhões em 2021 para US$ 3,53 bilhões em 2028. Isso se dará tanto pelo aumento da demanda quanto pela maior oferta de produtos. Esse aumento do autocuidado também nos leva a pensar em como as marcas estão se comunicando com o público acerca da longevidade. Muitos produtos deixam de lado o termo “antienvelhecimento” e agora adotam elementos que comunicam a possibilidade de envelhecimento saudável aliado a tecnologia. “A beleza em prol da longevidade tem a ver com priorizar a saúde da pele e do corpo em vez de focar apenas na aparência da juventude”, diz Raquel Dommarco, especialista em tendências na WGSN, consultoria de tendência de comportamento e consumo, em entrevista a Elle. Para a especialista, um dos acontecimentos decisivos para essa mudança foi a pandemia, onde a relação do indivíduo com o passar do tempo e principalmente com o envelhecimento foi reformulada na sociedade: “Agora, a questão é que não dá mais para oferecer produtos ‘antienvelhecimento’. As pessoas estão mais cientes do quão incontornável é este processo. É preciso, portanto, iniciar conversas que encarem o assunto de uma maneira positiva, empoderada e, em certa medida, até comemorativa”, complementa Raquel. No entanto, apesar do pro-aging parecer um movimento recente pela sua explosão nas mídias sociais, em 2008 algumas marcas de cosméticos foram precursoras do movimento e lançaram linhas voltadas para mulheres de pele madura com o conceito Beauty has no age limit, ou seja, beleza não tem limite de idade. Em 2017, a revista norte-americana de beleza feminina, Allure, anunciou que não usaria mais o termo anti-aging e desafiou a indústria de beleza a fazer o mesmo. Para Michelle Lee, editora-chefe da revista entre 2015 e 2021, é preciso celebrar a beleza em todas as idades e o uso do termo anti-age reforça a ideia de que o envelhecimento precisa ser combatido. Vale lembrar que o envelhecimento saudável não se restringe ao espectro da estética e beleza, mas engloba um estilo de vida integrado, como incentivo a adoção de hábitos saudáveis, valorização das experiências e conhecimentos adquiridos com a idade e defesa de políticas e práticas que respeitem e apoie a população idosa. Stripes Beauty Um exemplo de marca que tem como objetivo atender as necessidades das mulheres que estão na menopausa é a Stripes Beauty. Criada pela atriz estadunidense Naomi Watts, e recentemente adquirida pela L Catterton, fundo cofundado pelo grupo LVMH, a marca oferece tem como com diversos produtos que ajudam a aliviar os sintomas mais comuns no climatério. Entre eles, estão itens que combatem o afinamento dos fios de cabelo, o ressecamento da pele do corpo, e que restauram a lubrificação vaginal. Além dos produtos, a marca norte-americana é comprometida em divulgar notícias que fomentam informações importantes sobre a menopausa e tiram dúvidas de muitas mulheres nesse período. A Stripes Beauty adere com orgulho ao termo pro-aging, fazendo referência direta ao movimento que propõe uma abordagem positiva para o envelhecimento.
Por que falar sobre Senior Techs?
25 de Outubro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Mulher madura navega em notebook | Créditos: cottonbro studio – Pexels Com foco no público maduro, startups voltadas aos 60+ fomentam o mercado de trabalho e dão destaque aos serviços de saúde, educação e mobilidade A movimentação trilionária da economia prateada brasileira tende a crescer cada vez mais, tendo em vista o aumento da população longeva no Brasil. Segundo dados fornecidos pela consultoria de pesquisas personalizadas Data8, o mercado dos maduros movimenta mais de R$ 2 trilhões de reais por ano no país atualmente. Em complemento, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou neste ano dados sobre o envelhecimento da população: a proporção de pessoas 60+ no país quase duplicou, subindo de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023. Sabendo disso, observamos maduros ocupando novos espaços na sociedade, estimulando a convivência intergeracional e sendo consumidores ativos na economia. Nasce, então, um novo conceito no universo empresarial: as Senior Techs. O médico Egidio Dórea, professor da USP e diretor da Ativen, consultoria pioneira no setor no Brasil, explicou um pouco sobre esse conceito na revista Veja em 2023: “Senior Techs são inovações digitais escaláveis e inclusivas voltadas à população acima de 60 anos que se concentram em áreas como saúde, mobilidade, cuidado, lazer, aprendizado, finanças, relacionamentos sociais e paliação”, diz Egidio. Com colaboração do InovaHC, centro de inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, e da organização internacional Aging 2.0, a Ativem apresentou, em 2023, o primeiro mapeamento nacional de startups do segmento. A seleção teve como base os oito pilares dos desafios do envelhecimento elaborados pela Aging 2.0, que foram adaptados para refletir as necessidades dos maduros brasileiros. Os 8 pilares são: – Engajamento e propósito; – Bem-estar financeiro; – Mobilidade e movimento; – Vida diária e estilo de vida; – Coordenação do cuidado; – Cuidadores; – Saúde mental; – Fim da vida. Como muitas startups utilizam a tecnologia em seus serviços e projetos, as Senior Techs também contribuem com a inclusão digital do público sênior, uma vez que a interação do consumidor com tal ferramenta pode ser intermediada pelo ambiente virtual. Protagonismo e liderança Mas, não é só no consumidor final que se encontra o público da Senior Techs. Muitos gerentes, fundadores e idealizadores destas startups também são maduros. O lugar que esses longevos ocupam, além de possibilitar o desenvolvimento de estratégias que realmente conversem com o consumidor, auxilia no combate ao etarismo presente em ambientes corporativos. A equipe do The Silver Economy já realizou uma matéria com 4 nomes de empreendedores maduros que estão despontando na economia prateada, eles compartilharam um pouco de sua jornada até a longevidade e o objetivo de seus negócios.
Outubro Rosa 2024: campanha para prevenção do câncer de mama e do câncer de colo do útero
24 de Outubro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Laço cor-de-rosa | Créditos: Tara Winstead – Pexels Exames como mamografia, ultrassonografia e “de toque” são importantes para o diagnóstico precoce das patologias No mês de outubro, os laços cor-de-rosa tomam conta dos espaços públicos. Com o objetivo de alertar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, a campanha conscientizadora conhecida como “Outubro Rosa” é um dos meses coloridos do calendário internacional. Recentemente, o câncer de colo de útero também foi incluído neste mês. Dados divulgados e atualizados anualmente pelo Instituto Protea revelam que 1 em cada 4 mulheres com câncer de mama no Brasil perde a vida, o que resulta em cerca de 50 mortes por dia. Ainda, 75% da população brasileira não tem plano de saúde e depende exclusivamente do SUS para realizar os exames e tratamentos. Em parâmetro mundial, estima-se que uma em cada 8 mulheres no mundo terá câncer de mama. Só no Brasil, o instituto revelou que a projeção de pessoas que terão diagnóstico de câncer de mama em 2024 será de 73 mil. Reconhecendo a relevância e incidência da patologia na sociedade, promover a educação sobre tal temática é fundamental. Recorte histórico Na história, o movimento demorou cerca de dez anos para chegar no Brasil. O começo das manifestações de saúde foi realizado nos Estados Unidos na década de 90 em meio a uma corrida promovida pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, uma ONG que surgiu justamente para melhorar as condições dos tratamentos oferecidos para mulheres que possuem câncer de mama. A organização também foi responsável pela distribuição dos famosos laços cor-de-rosa em meio a uma corrida conscientizadora nomeada de “Race for the Cure”, ou seja, corrida pela cura. A popularização dos laços, que posteriormente ficariam marcados principalmente pela cor, cresceu gradualmente com a distribuição deles em eventos, iluminações rosadas em prédios e outras pequenas referências pelas cidades. A escolha da cor representa de maneira indireta a saúde e o bem estar. Em convenções populares, acredita-se que pessoas mais coradas são mais saudáveis. Desde a primeira aparição do movimento no Brasil, em 2002 com a iluminação do Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, sua popularização vem ganhando notoriedade e levantando pautas importantes sobre o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo. Exames e diagnóstico do câncer de mama A equipe do The Silver Economy entrevistou a oncologista e imunologista Nise Yamaguchi (CRM – 48492), que explicou didaticamente sobre o câncer de mama, seu diagnóstico e exames necessários, também alertando sobre o câncer de colo de útero. Nise explicou que o câncer de mama acontece quando ocorre um crescimento anormal de células nas mamas. Existe mais de um tipo de câncer de mama, e os mais comuns são o ductal e o lobular. Quando o caso ainda é inicial e precocemente localizado, são chamados de “in situ”. Depois, eles podem se tornar invasivos, migrando para as axilas, para os linfonodos ou para outros órgãos. A maioria dos casos de câncer de mama não tem uma predisposição genética, porém, Nise pontua que se houver casos de câncer de mama antes dos 35 anos de idade, outras mulheres da família devem fazer uma investigação genética associada a essa paciente. As tendências familiares ocorrem com aproximadamente 20 a 25% dos pacientes. Um dos exames recomendados para detecção do câncer de mama é o autoexame da mama pelo toque: “O autoexame da mama com o toque deve ser feito em diversos momentos antes da menstruação, durante a menstruação e quando a pessoa para de menstruar. A mulher deve conhecer as suas mamas. […] o exame do toque detecta células já desenvolvidas em tumores ou nodulações maiores. Portanto o exame do toque tem a sua importância, sem dúvida, porque ele direciona a pessoa para que ela possa pesquisar melhor”, conta a doutora. No entanto, o autoexame sozinho não é o suficiente: “o autoexame da mama não substitui a necessidade de aconselhamento por especialista, e nem a mamografia e ultrassonografia”, diz Nise. A mamografia, em conjunto com a ultrassonografia, detecta alterações iniciais importantes na mama e pode ser crucial para a cura da maioria das pessoas com câncer de mama atualmente, já que, se você detectar inicialmente, o tratamento é muito mais simples e eficiente. A médica conta que a mamografia deve ser feita a partir dos 45 anos, com uma frequência anual. Sinais de alteração e alerta nas mamas Segundo o Ministério da Saúde, alguns sinais de alteração na região são inflamatórios que não respondem a tratamentos tópicos (como cremes dermatológicos, por exemplo). Os mais comuns são: retrações de pele e do mamilo que deixam a mama com aspecto de casca de laranja; saída de secreção aquosa ou sanguinolenta pelo mamilo, chegando até a sujar o sutiã; vermelhidão da pele da mama; pequenos nódulos palpáveis nas axilas e/ou pescoço. Outros sinais possíveis são a inversão do mamilo, inchaço da mama e dor local. Câncer de mama: saiba como reconhecer os 5 sinais de alerta | Créditos: Ministério da Saúde Exames e diagnóstico do câncer de colo de útero Com relação ao câncer de colo de útero, Nise diz que é importante prestar atenção em sangramentos, principalmente na relação sexual, odores e secreções persistentes na região pélvica. Os diagnósticos da patologia são feitos através do exame clínico ou através da visualização do colo do útero, da coleta de exames da citologia e eventualmente da biópsia. Tais exames devem ser feitos com a frequência pelo menos de uma vez por ano, mas se houver alguma área de grande prevalência de vírus, eles podem ser feitos até a partir de seis meses. “O acesso rápido ao tratamento pode curar vidas”, reitera a médica. Trabalhos de Organizações Não Governamentais (ONGs) Existem certas Organizações Não Governamentais (ONGs) espalhadas pelo país que possuem projetos focados em auxiliar mulheres com câncer de mama. Confira alguns destes serviços abaixo: FEMAMA – A FEMAMA atua ao lado de ONGs associadas em todas as regiões do país para reduzir
Pesquisa aponta que 69% dos que têm mais de 50 anos acham que perderam vaga de emprego por causa da idade
23 de Outubro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Homem maduro carrega documentos | Créditos: Pavel Danilyuk – Pexels Levantamento feito pela Catho revela que 25% dos maduros buscam, preferencialmente, empresas especializadas em conectar profissionais longevos Uma pesquisa online feita pela plataforma de busca de empregos, Catho, este ano, revelou que 69% dos trabalhadores que têm mais de 50 anos acham que a idade foi um fator determinante na perda de vagas de emprego. Além disso, 55% desse grupo revelou que já sentiu suas habilidades sendo subestimadas em ambientes corporativos e processos seletivos. Durante o processo de apuração da pesquisa foram coletadas respostas de 1.488 pessoas. Apesar do grande índice de percepção da discriminação etária no meio corporativo, 42% dos profissionais maduros acreditam que recebem uma remuneração justa em comparação com o mercado. 71% desses trabalhadores acreditam que recebem salários equivalentes aos dos mais jovens em posições semelhantes. Ainda assim, semelhante aos trabalhadores mais jovens, 58% preferem ganhar menos a ter sua saúde mental comprometida com o trabalho. Em relação ao cargo de ocupação dos 50+, foi revelado que 41% deles estão em cargos de gestão, como supervisores, coordenadores e gerentes. Como um dos fatores que impulsionam maduros em cargos mais altos, se destaca a experiência adquirida ao longo da carreira. Alguns maduros usam técnicas para aumentar as chances de ingresso no mercado de trabalho, como investir em cursos de capacitação (20%) e manter uma boa rede de networking (17%). Quando analisamos a formação acadêmica, encontramos 57% dos profissionais longevos graduados, o que sobrepõe, nesta pesquisa em específico, o número de formação de trabalhadores mais jovens, que é de 50%. Ainda, 25% das pessoas com 50 anos ou mais buscam preferencialmente empresas especializadas em conectar profissionais maduros. Isso porque, além dessas empresas desenvolverem projetos de integração voltados a esse grupo, elas também reconhecem o potencial do profissional longevo, o que fomenta a diversidade etária nas companhias. Uma das empresas que se destacam no mercado de trabalho brasileiro por essa performance é a Maturi. Referência no setor de inclusão dos longevos, sua atuação é feita em áreas como recrutamento e seleção de pessoas 50+, produção de conteúdos, treinamentos e consultorias, desenvolvendo estratégias junto ao público consumidor 50+ e reconhece empresas que merecem a certificação “Selo Age-Friendly Employer”. De acordo com a Maturi, os 50+ priorizam alguns benefícios na contratação: maior equilíbrio emocional, maior capacidade de resolver problemas, mais conhecimento útil para a empresa, experiência analítica para realizar diagnósticos, mais organização e mais confiabilidade. A inspiração para a criação da empresa veio da avó do fundador e CEO da Maturi, Mórris Litvak. Dona Keila trabalhou até os 82 anos e fez com que Mórris se interessasse pelo tema. Em 2011 o empreendedor fez um trabalho voluntário em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos e a partir daí começou a estudar envelhecimento e longevidade. Desde 2015, ano de fundação da Maturi, Mórris segue aprimorando e ampliando os projetos da empresa visando promover a diversidade diária e geracional das organizações. “Acreditamos que, criando oportunidades para as pessoas mais maduras poderem continuar trabalhando, aprendendo, ensinando, se motivando e inspirando, promovemos a saúde, dignidade e o bem-estar social. Além disso, estamos certos de que incentivando também o diálogo intergeracional, criamos uma cultura que valorize a sabedoria de quem já tem uma longa história de vida, quebramos paradigmas e ajudamos as organizações a lidarem com os desafios dos novos tempos.” – relata a empresa sobre sua cultura, em seu site.
10 franquias de serviços voltadas para pessoas idosas
22 de Outubro de 2024 | Larissa Gabriel Alvares Pessoa madura recebe massagem | Créditos: cottonbro studio – Pexels Serviços voltados à saúde, casas de repouso, serviços educacionais e spas são algumas das franquias com potencial de crescimento que estão no radar de especialistas O envelhecimento da população brasileira já não é mais surpresa para ninguém: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a esperança de vida ao nascer subiu de 71,1 anos em 2000 para 76,4 anos em 2023, e deve chegar aos 83,9 anos em 2070. Também a proporção de pessoas 60+ no país quase duplicou, subindo de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023. Fato é que o número de pessoas idosas no país continua a crescer, e alguns nomes de franquias no mercado brasileiro têm se mostrado atentos ao consumidor maduro. Perfil do consumidor maduro Entender o comportamento e as preferências do consumidor é fundamental para desenvolver estratégias que consolidam o público. A equipe da The Silver Economy já fez uma matéria sobre onze perfis dos consumidores maduros ativos no mercado segundo Jeff Weiss, fundador da consultoria de marketing Age of Majority. Reunindo alguns dados do IBGE, SPC Brasil e Kantar Worldpanel, conseguimos entender resumidamente algumas características do mercado de consumo brasileiro formado por pessoas com 60 anos de idade ou mais: – Renda salarial média 30% maior se comparada à de adultos com até 59 anos; – 80% utilizam Whatsapp rotineiramente; – 70% usam Facebook rotineiramente; – 16% dão preferência à marcas premium; – 40% fazem exercícios semanalmente; – 20% associa as compras a uma atividade de lazer; – Responsáveis por 10% do varejo físico e 50% do varejo virtual; – Renda anual do grupo 60+ é de R$ 243 bilhões; – 71% dos idosos têm independência financeira (49% originária de aposentadoria); – 45% dos idosos sentem dificuldades para encontrar produtos adequados para sua idade. Serviços mais procurados Observando esse movimento, especialistas em franquias determinaram serviços e segmentos específicos que podem crescer junto com a ascensão do público maduro. Pedro Almeida, especialista em franchising e sócio-diretor da consultoria Franchise Solutions, revelou alguns desses setores em entrevista ao Portal do Franchising: – Serviços de apoio à caminhada e acompanhamento de exercícios; – Serviços voltados à saúde (fisioterapia, oftalmologia, odontologia, clínica geral, etc); – Cuidadores e enfermeiros; – Serviços de limpeza, conservação e jardinagem; – Casas de repouso; – Atrações de lazer e entretenimento voltado à idosos; – Agências voltadas ao turismo na longevidade; – Serviços educacionais (idiomas, desempenho cognitivo e exercício do cérebro, computação básica); – Spas. 10 franquias de serviços voltadas para pessoas idosas TERÇA DA SERRA CASA DE REPOUSO Rede de hospedagem e Day Care para idosos presente em diversas cidades do país. Acesse o site. PURE PILATES Rede de estúdios de pilates. Acesse o site. SUPERA – GINÁSTICA PARA O CÉREBRO A maior rede de franquias de ginástica para o cérebro do Brasil. Acesse o site. SOLUMEDI Um negócio que oferece o melhor custo x benefício no ramo da saúde. Rede de agendamento de consultas e exames. Acesse o site. ACUIDAR Maior franquia de cuidadores especializados da América Latina. A mais premiada do setor no Brasil em 2024. Acesse o site. PHITOFARMA 53 anos de excelência em manipulação de fórmulas personalizadas, moldando o cenário farmacêutico brasileiro com qualidade e inovação. Acesse o site. SENSE SPA EXPRESS Primeira rede do Brasil especializada em Massagens Relaxantes e Terapêuticas. Acesse o site. PARTMED SAÚDE E MEDICINA Rede de clínicas médicas que oferece em seus consultórios consultas e exames. Acesse o site. NAÇÃO VERDE Muito mais que uma rede de produtos naturais, a franquia Nação Verde oferece 4 canais de vendas diferentes para você aumentar ainda mais seu faturamento. Acesse o site. GRUPO ACOLHER & CUIDAR Rede de cuidadores que tem como foco a internação domiciliar. Acesse o site.